Acesso à cultura no Brasil

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Olá, pessoal! Hoje vamos trazer duas redações com o tema: “Acesso à cultura no Brasil”.

Sabemos que apesar de o Brasil oferecer inúmeras produções culturais, a população não aproveita muito disso. Quem aqui já foi em um museu ou em uma peça teatral no Brasil? Não conta as excursões de escola, hein? Pois é, grande parte da população não frequenta essas oportunidades.

Está precisando de uma inspiração para escrever sobre esse tema? Então fique aqui com a gente!

Democratização do acesso à Cultura

O Brasil, como país independente, teve seus primeiros estabelecimentos de introdução à Cultura no século XIX, com a vinda da Coroa Portuguesa, a construção do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e a Biblioteca Nacional – ambos com o objetivo de satisfazer a elite da época. Assim, a elitização cultural construiu-se historicamente através da segregação cultural que privilegia uma parcela, impedindo que, na contemporaneidade, haja o acesso democrático a população na sua íntegra.

Primeiramente, a cultura no Brasil não é democrática em função da formação social brasileira, nos tempos ainda de colônia. A culpa disso, é a aplicação do conceito de Darwinismo Social absorvido na sociedade portuguesa e trazido para o país no século XIX, fazendo com que, em um local tão miscigenado racialmente como o Brasil, houvesse a hierarquização da população, e consequentemente, a segregação de quem seria apto intelectualmente a consumir a cultura erudita mantida pela Coroa. Ilustração dessa passagem, é a formação da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, academia montada pelo Império, na qual só aceitavam artistas do movimento europeu do pós-modernismo, deixando claro que, a cultura erudita nesse período só era destinada ao acesso da minoria populacional do Brasil ainda escravista. Em síntese, percebe-se que a construção histórica é baseada em uma política antidemocrática, implicando na inviabilização ao acesso à Cultura a maioria brasileira até os tempos atuais.

Ademais, tomado a razão para a elitização de locais que expõem a cultura erudita brasileira, os direitos do cidadão não são fielmente respeitados. Isso ocorre em função do resultado histórico, que é a capitalização gerada sobre o setor baseada no consumidor de alta renda, excluindo então a maioria brasileira desses locais – tendo em vista que, de acordo com o IBGE, 25% da população é de baixa renda. Então, mesmo a Constituição Brasileira de 1988 garantindo o direito à lazer e à cultura a todos, o cidadão é barrado pelo pensamento etnocêntrico ainda vigente, a exemplo de entradas de Museus e Cinemas cobradas a altos preços, ou mesmo construídas em bairros de difícil acesso com transporte público. Assim, fica explícito que a execução da legislação é falha e excludente, tornando-se na prática, antidemocrática.

Portanto, a democratização do acesso à Cultura no Brasil deverá ocorrer quando essa construção histórica for superada e a aristocracia brasileira parar de propagá-la. Para que isso, ocorra é necessário o livre acesso a todas as formas culturais no país, de forma a igualar as construções como cinemas e museus em regiões nobres e periféricas, sem que novos capitais sejam gerados para indústria, para que se amenize a segregação social por renda. Além disso, é preciso árduo trabalho na educação de jovens para que se desconstrua essa mentalidade segregacionista e, por conseguinte, o Brasil prospere a um local mais harmonioso e menos desigual.

A distância entre a cultura e o povo

A cultura pode ser manifestada de várias formas, através do teatro, da música, das artes plásticas, da literatura, entre outras formas. No Brasil, o acesso democrático a essas manifestações culturais ainda é inexistente, pois os ambientes culturais são pouco acessíveis e a aquisição de livros é restrita.

O difícil alcance das manifestações culturais é um empecilho para que a cultura se torne disponível a todos. Segundo dados do IBGE, a população negra e pobre é a que menos têm acesso a teatros, cinemas e museus, e um dos motivos é a distância entre esses espaços e os locais onde vivem. Isso mostra que, apesar da existência de incentivos como descontos e ingressos gratuitos, a ida a cinemas, teatros e museus é dificultada por questões geográficas, já que é preciso pegar inúmeros ônibus e atravessar toda a cidade para conseguir ir a esses lugares, perdendo um dia de trabalho. Dessa forma, o contato com as manifestações culturais se torna pouco atrativa, por conta da necessidade de trabalhar para sustentar a própria família. Logo, o acesso à cultura se torna antidemocrático, pois só aqueles que conseguem ter tempo livre podem ir até os lugares onde ela é manifestada.

Além da distância, outro fator que torna indisponível a proximidade com a cultura são os valores altos para a aquisição de itens culturais como o livro. Por exemplo, existe um projeto de lei do Governo Federal que prevê a cobrança de taxas na venda de livros. Essa lei irá criar mais uma barreira para a disseminação da cultura, considerando que os livros irão se tornar itens elitizados e que apenas uma pequena parcela dos brasileiros conseguirá ter pleno acesso a eles. Assim, o número de brasileiros leitores diminuirá ainda mais, fazendo a média de livros lidos pela população diminuir, tornando o livro um item de luxo e a cultura permanecerá antidemocrática.

Portanto, o contato com a cultura no Brasil ainda é pouco democrático, sendo inacessíveis o acesso a cinemas, teatros, museus e a aquisição de bens culturais, como livros, pela maior parte da população. Por isso, ainda é preciso que sejam tomadas medidas para tornar as manifestações culturais mais próximas do povo brasileiro e assim será possível diminuir a desigualdade no acesso à cultura no Brasil.

Fechamento

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